Autoconhecimento e tomada de decisão: quando se conhecer faz tudo fluir melhor
- Psicóloga Flávia Gomes da Costa

- 18 de jun. de 2025
- 3 min de leitura
“Eu já era o que sou agora, mas agora gosto de ser.”
Essa frase do Oswaldo Montenegro me acompanha há muito tempo. Talvez porque ela fale de algo que, com o tempo e com o trabalho terapêutico, fui compreendendo com mais profundidade: o poder de fazer contato com quem a gente é.
O que o autoconhecimento nos permite enxergar
O autoconhecimento não transforma ninguém em outra pessoa. Ele permite que a gente se reconheça. Nos dá consciência. Tira o peso de tentar agradar a tudo e a todos o tempo inteiro. E nos ajuda, principalmente, a decidir com mais leveza.
Quando a gente se conhece, sabe o que combina e o que não combina com a própria vida. Sabe o que machuca, o que fortalece, o que faz sentido e o que só ocupa espaço.
É esse olhar para dentro que torna as decisões do dia a dia mais fluidas, porque não partem mais da dúvida, e sim da coerência com o que sentimos e acreditamos.
O risco de viver no piloto automático
Com o ritmo corrido do dia a dia, muitas vezes a gente só segue. Faz o que precisa ser feito, entrega o que esperam, cumpre o que está na agenda. Quando percebe, está apenas repetindo hábitos, vivendo no automático.
A área profissional que escolhemos, o trabalho em que estamos, os relacionamentos que mantemos, tudo vai sendo conduzido quase sem pausa. Até que, em algum momento, surge uma pergunta silenciosa: onde foi que me perdi de mim?
É comum, no consultório, encontrar pessoas que relatam que não sabem mais quem são, não sabem o que gostam, não sabem se escolheram a profissão mais adequada, não conseguem listar características pessoais. São sinais de distanciamento. Quando a gente deixa de se ouvir, deixa também de perceber o que realmente faz sentido.
Será que eu gosto mesmo de praia ou vou porque a outra pessoa gosta? Será que essa profissão me representa ou só me acostumei com ela? Será que esse ritmo de vida me alimenta ou me consome? Essas perguntas não têm resposta pronta. Mas quando a gente se permite olhar para elas com honestidade, começa a se aproximar de novo da própria essência.
O papel da psicoterapia nesse caminho
É nesse momento que a psicoterapia se torna uma potente ferramenta. A terapia oferece esse espaço de contato, de pausa e de escuta.
É ali, no encontro consigo, que cada pessoa começa a perceber o que sente, o que quer, o que tem carregado e já pode soltar. Com o apoio de uma escuta acolhedora e técnica, vai desatando os nós que foram se formando com o tempo. Vai reconstruindo o caminho de volta para si.
É um processo. Nem sempre rápido, nem sempre confortável. Mas profundamente transformador. Porque quando a gente se reencontra, começa a fazer escolhas com mais clareza. Escolhas que não seguem apenas o que os outros esperam ou o que parece ser o mais seguro. Mas escolhas que têm a ver com quem a gente é. E é aí que a frase do Oswaldo ganha ainda mais sentido. Porque a gente já era quem é. Só precisava voltar a gostar de ser quem é.
Quando você se conhece, passa a viver com mais intenção, presença e autonomia. Se permitir esse reencontro é um ato de coragem e cuidado. A psicoterapia pode ser o espaço para essa virada, um caminho para retomar as rédeas da própria história e fazer escolhas alinhadas com o que realmente importa.
Se esse texto despertou algo em você, talvez seja hora de dar esse primeiro passo. Você merece viver uma vida que tenha a sua cara. E mais do que isso: você merece ser protagonista dela.
